Acadêmicas da Feevale encontram poluição por resíduos plásticos no litoral e no Rio dos Sinos | Universidade Feevale

Acadêmicas da Feevale encontram poluição por resíduos plásticos no litoral e no Rio dos Sinos

16/09/2020 - Atualizado 18/09/2020 10h22min

São Leopoldo

Estudos são desenvolvidos pelo PPG em Qualidade Ambiental e curso de Ciências Biológicas da Instituição

Os resíduos de origem plástica podem, desde sua produção, acabar atingindo os ecossistemas naturais. Pesquisas sobre essa temática têm aumentado exponencialmente nos últimos anos, principalmente no que se refere à poluição marinha e aos impactos ambientais que os resíduos provocam às espécies aquáticas. No entanto, assim como existem os resíduos gerados localmente (nas cidades litorâneas), eles podem ser transportados até as áreas oceânicas e existem diversas vias que levam essa poluição até lá. Uma delas é por meio dos ecossistemas continentais, incluindo os terrestres, mas mais comumente os rios, ou seja, os sistemas de água doce.

Com o objetivo de detectar a presença destes resíduos, tanto na região litorânea média do Estado, quanto no Rio dos Sinos – que podem ser levados até o oceano – a Universidade Feevale desenvolve projetos de pesquisa na área dos plásticos. Vinculados ao Programa de Pós-graduação em Qualidade Ambiental e ao curso de Ciências Biológicas da Instituição, tratam-se de investigações que contribuirão para os estudos na área do meio ambiente no Rio Grande do Sul.

Rio dos Sinos

A acadêmica do mestrado em Qualidade Ambiental, Jenifer Panizzon, após coletar amostras de água e sedimento ao longo do Rio dos Sinos, encontrou diversos pequenos microplásticos nos três pontos de coleta, que se localizam nos municípios de São Leopoldo (na foto à esquerda, ponto de coleta de água e sedimento), Parobé e Caraá. A pesquisa Microplásticos no Rio dos Sinos: ocorrência, caracterização e avaliação dos potenciais efeitos ecotoxicológicos é orientada pela professora Vanusca Dalosto Jahno, da Feevale, pelo professor Günther Gehlen e pela professora Paula Sobral, da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa – FCT-NOVA, de Portugal. Um dos objetivos é, também, analisar quais os potenciais efeitos ecotoxicológicos que essa contaminação pode causar aos seres vivos e à saúde humana.

As amostras foram processadas no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologias Limpas da Universidade e, após filtrados à vácuo em membranas de acetato celulose, as partículas foram visualizadas, contadas e identificadas com auxílio de literatura específica, em um estereomicroscópio. Os resultados preliminares da pesquisa mostram que existem pequenos microplásticos tanto na água quanto no sedimento e estima-se que sejam em grande quantidade. As microfibras foram as formas mais encontradas e em maior quantidade em todas as amostras, nos três pontos analisados. A pesquisa segue, agora, para a etapa de caracterização dessas partículas, a fim de saber a composição química e, consequentemente, a que tipo de plástico pertencem.

Litoral

Com o objetivo de diagnosticar a poluição por resíduos de origem antrópica no litoral médio leste do Rio Grande do Sul, a aluna de graduação em Ciências Biológicas, Marina Zimmer Correa, tem realizado coletas dos resíduos encontrados em três pontos distribuídos em uma faixa de praia de, aproximadamente, 30 km do litoral médio do Estado. Abrangendo as cidades de Mostardas e Tavares, a região tem um dos pontos de coleta inserido em uma Unidade de Conservação de importância internacional, o Parque Nacional da Lagoa do Peixe.

Orientada pela professora Larissa Schemes Heinzelmann, a aluna realiza a pesquisa por meio do seu Trabalho de Conclusão de Curso intitulado Quantificação e classificação de resíduos sólidos antropogênicos do litoral médio do Rio Grande do Sul. O diagnóstico da poluição se dará por meio da quantificação dos itens e objetos coletados e da sua classificação em tipo de material, tais como plástico, tecido, vidro/cerâmica, metal, papel/papelão, borracha e madeira, e prováveis fontes, tais como pesca, uso local ou doméstico. Apesar do enfoque ser nos macrorresíduos, o trabalho também aborda os grandes microplásticos, que variam de 1 a 5 mm de tamanho, são visíveis a olho nu e encontrados durante as coletas em campo, em especial os pellets, plástico virgem em formato de esferas e utilizado como matéria-prima pela indústria.

Até o momento, o trabalho já pôde identificar o plástico como o material de maior abundância, a pesca como uma das maiores fontes dos resíduos amostrados e os pellets como os grandes microplásticos mais encontrados. O trabalho conta com o apoio do Parque Nacional da Lagoa do Peixe e com a parceria do Instituto Curicaca, organização não governamental que desenvolve projetos de educação ambiental, gestão de resíduos sólidos, ecoturismo e desenvolvimento sustentável na região. A aluna está em fase de finalização das coletas programadas e da triagem do material.

Litoral

O Parque Nacional da Lagoa do Peixe possui importância internacional devido às aves migratórias que fazem uso do local para descanso, alimentação e reprodução, como os flamingos. Foto: Migração de flamingos no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, Rio Grande do Sul. Henrique Olsen

Saiba mais sobre os tipos de resíduos

microplásticos

De acordo com a professora e pesquisadora Vanusca Dalosto Jahno, os resíduos encontrados no meio ambiente podem ser de vários tamanhos, formas e cores e são provenientes de muitos tipos de produtos plásticos, utilizados no dia a dia em nossas atividades sociais. Desde a indústria e antes mesmo de ser consumido, um produto feito de resinas poliméricas provenientes de recursos naturais fósseis, como é o caso do plástico virgem (que é fabricado a partir do petróleo), pode contaminar os recursos hídricos e o seu descarte incorreto, após o consumo, configura mais uma fonte de contaminação. “Da mesma forma, as redes de pesca, por exemplo, ao serem descartadas em alto mar ou mesmo na areia da praia, podem causar problemas aos organismos vivos”, explica.

De modo geral, os resíduos maiores e que são facilmente visíveis são os chamados macroplásticos (maiores que 2.5cm); já os microplásticos são micropartículas menores que 5mm. Menores em tamanho existem, ainda, os nanoplásticos. Os microplásticos são divididos em duas categorias, dependendo do tamanho: grandes ou pequenos. Podem, também, ser primários ou secundários, dependendo da sua origem. Os primários referem-se aos que são gerados pela indústria, por exemplo, no momento da produção e chegam até os recursos hídricos via efluentes industriais, como é o caso das fibras têxteis, também chamadas de microfibras.

Já os microplásticos secundários são aqueles provenientes da fragmentação (ou quebra) a partir de plásticos maiores por meio de processos e fatores abióticos (como radiação solar, oxidação e força mecânica, entre outros). Portanto, todo e qualquer material plástico pode ser interpretado como uma potencial fonte secundária. Juntamente com outros materiais gerados pelas atividades humanas, como madeira processada, cerâmica, metal e borracha, são chamados também de macrorresíduos, pois são de fácil visualização nos centros urbanos, em corpos d’água e em diferentes ambientes da região costeira.

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