06/04/2017 - Atualizado 14h26min
Tese de doutorado busca descobrir, por meio de estudo etnográfico, que assuntos os adolescentes gostariam de ver tratados pela mídia direcionada a eles
O que os adolescentes querem ler, saber, conhecer? Os jovens se sentem representados pelas mídias direcionadas a eles? Essas foram algumas das perguntas que uma tese de doutorado, realizada no Programa de Pós-graduação em Diversidade Cultural e Inclusão Social, buscou responder. No estudo intitulado Movimentos de consumo: Entre as convocações das revistas Atrevida e Todateen e as capas produzidas por jovens alunos, da linha de pesquisa em Linguagens e Tecnologias, Robson da Silva Constante realizou uma investigação etnográfica com cerca de 40 adolescentes entre 14 e 17 anos de Novo Hamburgo. Orientado pela professora Saraí Schmidt e co-orientado pela professora Ana Luiza Carvalho da Rocha, o objetivo foi discutir a percepção que esses jovens têm da mídia e como, por meio desta, eles são convocados a consumir.
Constante realizou dinâmicas, rodas de conversas, bate-papos e oficinas com os adolescentes, em uma escola comunitária do município. Durante esses momentos com os jovens, o pesquisador pôde compreender como estes se veem representados e como se veem chamados para o consumo pela publicidade embutida na comunicação de massa. Durante as conversas, transpareceu, pelos adolescentes, o desejo de ver diversos outros assuntos de seu universo abordados, indo muito além das questões de relacionamentos e ídolos teens. “Uma das preocupações que apareceu foi em relação ao futuro: os jovens querem uma comunicação que lhes deem subsídios para se prepararem”, afirma o pesquisador.
Uma das atividades que mais provocaram o debate foi a produção, pelos próprios jovens, de capas de revistas que contivessem assuntos que estes gostariam de ver tratados em materiais específicos para eles. Nas sete capas desenvolvidas, pouco aparecem referências à busca pela beleza, celebridades e guias comportamentais, por exemplo. Temáticas generalistas, sem separação de público-alvo por gênero, deram o tom dos materiais, como: personalidades do mundo profissional, esportes diversos, cultura, séries, filmes, games e, também, empoderamento feminino.
“A pesquisa revelou, ainda, que tais representações não condizem com a totalidade dos sujeitos a partir do olhar da cultura e do consumo. Ou seja, o jovem se considera muito mais do que é representado pelas diversas mídias”, explica Constante. “Existe uma pluralidade de questões que representam o jovem contemporâneo, que ainda devem ser investigadas”, diz.
O que os adolescentes querem ver – números da pesquisa
Universo: 40 adolescentes
Idade média: 15,7 anos
Sexo: Meninas - 73% / Meninos – 27%
Período da pesquisa etnográfica: abril de 2016
Capas produzidas: Degradê, GX, Acidez Feminina, Tão Nós, Watch Me, Desatinados e Jovem Nerd
Assuntos que os jovens querem ver:
- futuro profissional
- personalidades do mundo do trabalho
- consumo consciente
- bens culturais
- prática de esporte; apresentação de outras modalidades esportivas, além do futebol
- dicas sobre filmes, séries, livros e games
- menos celebridades e mais suas próprias histórias
- empoderamento feminino



