Empresa diversifica negócios a partir de estudos | Universidade Feevale

Empresa diversifica negócios a partir de estudos

29/05/2017 - Atualizado 30/05/2017 08h54min
Cláudia, Débora e Luciane

Parceria entre a Universidade Feevale e a Metalúrgica Daniel, por meio do mestrado em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais, mostra que a pesquisa pode auxiliar em soluções para as empresas

A colaboração entre universidade e empresa é altamente positiva para a sociedade, pois, além de promover a inovação e a modernização tecnológica de produtos e processos, pode proporcionar ganhos reais e impactar a economia e a sociedade. Foi isso que a Metalúrgica Daniel, de Novo Hamburgo, descobriu ao iniciar uma parceria com a Universidade Feevale, oito anos atrás, por meio do edital de Tecnologia e Inovação da Instituição. Os estudos realizados proporcionaram a aprovação de projeto de pesquisa no edital Programa de Interação Universidade/Empresa (IUE), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). Com isso, o mestrado profissional em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais da Instituição entrou no dia a dia da empresa, auxiliando na diversificação dos seus produtos e impactando na melhoria da metalúrgica.
 
Em 2009, a então funcionária da empresa, Luciane Taís Führ, hoje professora da Feevale, iniciou as atividades do projeto, que resultou em sua dissertação oriunda do mestrado da Universidade, com apoio do IUE e sob a orientação da professora Claudia Trindade Oliveira. Com o objetivo de aperfeiçoar produtos e processos na metalúrgica, Luciane, em sua dissertação, analisou a viabilidade de uma proposta da empresa: entrar no mercado das peças sanitárias (até então a metalúrgica atuava de forma muito forte no segmento calçadista), substituindo as tradicionais peças feitas em latão por peças de zamac, uma liga de zinco, alumínio, magnésio e cobre mais barata. Uma das dificuldades do uso de zamac apontadas por testes comparativos realizados pela Metalúrgica Daniel era o fato de que os acessórios em zamac são menos resistentes à corrosão, comum nos ambientes úmidos dos banheiros.
 
A pesquisa de Luciane buscou descobrir novos processos de tratamento de superfície em peças de zamac a fim de tornar o composto menos corrosível à umidade, em um nível que tornasse seu uso mais competitivo em comparação ao latão. Peças foram, então, elaboradas nos dois componentes, tendo sido o zamac injetado sob pressão, e comparadas quanto ao desempenho frente à corrosão tanto por testes de névoa salina como de testes eletroquímicos de corrosão. Os tratamentos superficiais das peças foram feitos na Metalúrgica Daniel, bem como os testes em névoa salina; já os testes eletroquímicos foram realizados no Laboratório de Estudos Avançados em Materiais da Feevale.
 
Entre os resultados encontrados, demonstrou-se que a corrosão por exposição à névoa salina do zamac 5 injetado sob pressão é semelhante à corrosão do zinco, tendo sido detectadas porosidades em áreas específicas do zamac. Esses pequenos defeitos não influenciam, no entanto, de forma significativa as propriedades eletroquímicas da liga. Assim, a pesquisa demonstrou que o zamac se configurava como uma alternativa mais competitiva à Metalúrgica Daniel. O estudo, ainda, abriu novas possibilidades de pesquisa integrando empresa e Universidade, entre as quais o estudo da influência de outros parâmetros no processo, como pressão, sobretemperatura do fundido, temperatura da matriz, etc., além da influência da espessura da parede da peça e do fluxo de preenchimento do molde, entre outros estudos. Até 2016, segundo a professora Claudia, o trabalho entre a universidade e a empresa culminou em dois estágios supervisionados na empresa, três trabalhos de conclusão de curso (TCC) no tema, uma dissertação de mestrado, além de artigos e trabalhos apresentados em congressos.
 
De acordo com a diretora superintendente da Metalúrgica Daniel, Débora Giacomet, a parceria com a Universidade veio atender a uma determinada demanda, que era atender a um segmento totalmente novo para a empresa. A vantagem da utilização do zamac ao invés do latão em peças sanitárias é devido à a sua competitividade e à possibilidade de uma melhor maleabilidade do design. Antes desse estudo, os clientes da metalúrgica buscavam essa solução importando os materiais, pois estes não existiram no mercado nacional. Hoje, o segmento de peças e acessórios metálicos para sanitários representa quase 20% da receita total da Daniel. Assim, uma empresa que sempre teve tradição no ramo calçadista – um segmento sazonal e mais dependente das tendências da moda –, pôde, com sucesso, diversificar os seus negócios, em um projeto com a academia que deu certo.
 
Confira os depoimentos
 
“Na época em que eu trabalhava na empresa, esperava que o mestrado pudesse auxiliar em alguma solução para ela. O zamac, que é liga específica com a qual a metalúrgica trabalha, poderia ser usado para outras linhas de produto, como a de metais sanitários: torneiras, toalheiros, etc. Tradicionalmente essas peças são produzidas em latão, mas este é um componente mais caro e demanda um método mais artesanal de fabricação. Com satisfação, vemos que foi essa pesquisa que colocou a Metalúrgica Daniel no topo do mercado de peças técnicas para metais sanitários.”
Luciane Taís Führ, mestre em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais e professora da Feevale
 
Entendemos que o conhecimento está dentro da Universidade, por isso viemos para a Feevale e, juntos, chegamos a uma solução importante que atendeu de forma plena um mercado que, atualmente, representa o segundo mercado da Daniel. A partir desse projeto, mais que encontrar a solução – o que encontramos, precisávamos buscar a confiança do mercado. Hoje, somos entendidos como o maior fornecedor desse material neste segmento do mercado no Brasil. Parou por aí? Não parou. Estamos agora buscando outras soluções para buscar uma performance melhor no processo produtivo. A Feevale tem laboratórios fantásticos para apoiar a busca de uma solução em conjunto com as empresas. A inovação é um caminho importante que as empresas têm que seguir, e não tem como buscar a inovação fora da Universidade.
Débora Giacomet, diretora superintendente da Metalúrgica Daniel
 
“No mestrado, temos possibilidades de trabalhar em diversos aspectos nesta e em outras empresas. O que precisamos é de gente disposta a promover a inovação e trabalhar. Nesse sentido, o fato de que, no caso da Daniel, tivemos uma total abertura da empresa, com acesso aos seus produtos e processos, o que é muito importante.”
Claudia Trindade Oliveira, pesquisadora e professora do mestrado em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais

Sobre a Metalúrgica Daniel
A empresa iniciou suas atividades em 1968, produzindo fivelas estampadas em aço para calçados. Consolidada, hoje, como uma das principais fornecedoras de componentes metálicos e plásticos da América Latina, a empresa fornece soluções em metais e plásticos para os mercados de moda e peças técnicas, exportando para os mais diversos países em todo o globo.
 
Sua sede está instalada em um parque fabril de 40 mil m² em Novo Hamburgo, com 17 mil m² de área construída e mais de 300 colaboradores diretos. A empresa conquistou o Prêmio Qualidade RS - Troféu Prata - em 2009, e mantém a certificação ISO 9001 desde 2000. Saiba mais: www.daniel.com.br.
 
Sobre o mestrado na Feevale
 
O mestrado profissional em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais é uma das opções de pós-graduação da Universidade Feevale que está com inscrições abertas, até o dia 8 de junho. Há possibilidades de bolsas de 50% para este e outros cursos de mestrado e doutorado da Instituição.

 
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