Carolina de Sá propõe reflexão sobre os sobrenomes herdados, em obra que une poesia e ilustração

Na semana do Dia Internacional da Mulher, a egressa da Pós-graduação em Escrita Criativa da Universidade Feevale, Carolina de Araujo Schubert, lança seu primeiro livro, Diário Liberto, assinado sob o pseudônimo Carolina de Sá. Publicada pela editora Laranja Original, a obra chega ao público como um convite à reflexão sobre ancestralidade feminina, identidade e liberdade emocional.
Jornalista e fundadora da Porque Assessoria, Carolina escreveu Diário Liberto em 2019, enquanto cursava a especialização na Feevale. O intervalo de seis anos até a publicação, segundo ela, foi necessário para que pudesse revisitar de forma mais madura as experiências que deram origem ao livro.
“Quando escrevi esse livro, estava passando por um turbilhão de emoções com a recente morte do meu ex-namorado, Michel Fritscher. Eu não tinha condições de falar sobre a minha história publicamente. Hoje, com o passar dos anos, sinto uma segurança e um orgulho enorme dessa criação tão visceral”, afirma a autora.
Ancestralidade feminina como assinatura
O pseudônimo Carolina de Sá nasce como um gesto simbólico e afetivo. A autora buscava uma forma de homenagear as mulheres de sua família, especialmente sua avó Edmea, mas percebeu que todos os sobrenomes que carregava remetiam a antepassados homens.
“No geral, não temos nenhum sobrenome que, de fato, faça referência a uma mulher”, explica. A partir dessa constatação, criou “Sá” com base em uma sílaba do nome de sua mãe, Sandra, também presente no nome de sua mãe de coração, Heloísa. A escolha dialoga com o mês de março e com a proposta do livro: valorizar a força da ancestralidade feminina de maneira sensível e criativa.
“Não é uma polêmica extremista sobre reivindicar sobrenomes, mas um convite à reflexão sobre como podemos encontrar formas sutis e belas de honrar a força da nossa ancestralidade feminina. O poder da criação, da arte que vem desse lugar. E assim o fiz ao assinar meus livros”, destaca. Diário Liberto aborda temas como fé, amor próprio, depressão, morte, suicídio e renascimento. Estruturada em poemas e desenhos autorais, a obra é inspirada na linguagem das histórias em quadrinhos, influência que surgiu durante as aulas da pós-graduação.
“Quando ainda estava na pós, tive uma aula brilhante de História em Quadrinhos e me apaixonei. Enquanto escrevia, muitas imagens que não eram para ser escritas vinham à mente, então desenhei. Não são meras ilustrações, mas partes essenciais da história”, conta.
A autora também reflete sobre beleza e perfeccionismo ao optar por ilustrar grande parte do livro com traços que remetem à espontaneidade da infância. “Artes era minha matéria preferida na escola. Tenho memórias lindas desses momentos em que me expressava sem medo de julgamentos. Diário Liberto fala sobre essa liberdade pela qual nossa alma anseia, mas que acaba não encontrando quando fica presa ao excesso de controle e perfeccionismo.”
O livro está à venda no site da editora Laranja Original.
Sinopse
Diário Liberto, obra de estreia de Carolina de Sá, apresenta um relato visceral em forma de poesia. O livro resgata a essência do eu, rememora marcas da vida e celebra as curas do ser, honrando pai e mãe. A obra também reverencia a força da ancestralidade feminina, do criativo e do útero — do vazio onde tudo nasce. Amor próprio, depressão, suicídio, fé, morte e renascimento atravessam a narrativa, acompanhados de ilustrações que evocam a beleza e a liberdade da criança interior.