
Obra de Ismael Boeira, do curso de Diversidade Cultural e Inclusão Social da Universidade, é em formato de crônicas
O escritor e professor Ismael Boeira, doutorando em Diversidade Cultural e Inclusão Social pela Universidade Feevale, acaba de lançar o livro Cria da Casa, que aborda, por meio de crônicas, temas como Alzheimer, racismo, luto, relações familiares, cuidado e finitude. O lançamento aconteceu, recentemente, no Espaço Sicredi São Luiz, em Sapiranga.
A obra acompanha a trajetória de uma mulher negra desde a infância, quando é entregue a uma família com a promessa de ser criada como filha, mas acaba assumindo o lugar de “cria da casa”. Inserida em uma rotina de trabalho doméstico e em relações marcadas pela desigualdade, racismo e ausência de pertencimento, ela carrega essas experiências ao longo da vida.
Décadas mais tarde, diante do diagnóstico de Alzheimer e do processo de finitude, é o filho quem passa a reconstruir a trajetória da mãe por meio das crônicas. Memórias, esquecimentos, silêncios e fragmentos da história familiar se entrelaçam na narrativa, criando uma reflexão sobre aquilo que permanece quando a memória começa a desaparecer.
Além de abordar o Alzheimer como uma condição relacionada à perda de memória, Cria da Casa propõe um olhar para as marcas que as experiências vividas deixam ao longo de uma existência. A narrativa evidencia como situações de racismo, abandono e violência podem atravessar diferentes fases da vida e reaparecer no processo de adoecimento, ao mesmo tempo em que apresenta as dimensões afetivas e sociais envolvidas no cuidado e no luto.
Cria da Casa também está em processo de circulação, com atividades e saraus realizados em diferentes espaços. A proposta é aproximar a literatura do público e estimular diálogos sobre memória, cuidado, relações familiares, Alzheimer e luto, a partir das experiências apresentadas na obra.
Para Boeira, a literatura também pode ser um espaço de reflexão sobre questões que atravessam a sociedade e as relações humanas. Nesse sentido, as crônicas convidam o leitor a olhar para as histórias que permanecem, inclusive aquelas que, diante do esquecimento, correm o risco de desaparecer.