Estudo analisa a política cultural como estratégia de fortalecimento de redes patrimoniais e sustentabilidade cultural no Rio Grande do Sul

O coordenador da Editora Feevale, Mauricio Barth, professor do Programa de Pós-Graduação em Indústria Criativa e do curso de Publicidade e Propaganda, representou a Instituição no Congresso Internacional Patrimônio, Cuidados e Pessoas em um Mundo Resiliente: as Redes Patrimoniais como Estratégia de Sustentabilidade, realizado no final de maio, em Madri, na Espanha. O evento reuniu pesquisadores, profissionais, instituições e comunidades para discutir o papel das redes de colaboração na preservação e no futuro do patrimônio cultural e natural.
Durante o congresso, Barth apresentou o artigo Heritage Networks and Cultural Sustainability: the Paulo Gustavo Law as a Policy of Care in Rio Grande do Sul (Redes Patrimoniais e Sustentabilidade Cultural: a Lei Paulo Gustavo como Política de Cuidado no Rio Grande do Sul), desenvolvido em coautoria com o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Processos e Manifestações Culturais da Universidade Feevale, Daniel Conte.
A pesquisa analisa a Lei Paulo Gustavo como uma política pública cultural que vai além do caráter emergencial de financiamento, destacando seu potencial para fortalecer redes patrimoniais capazes de promover cuidado social, continuidade simbólica e sustentabilidade cultural. O estudo parte da compreensão de que o patrimônio cultural contemporâneo deve ser entendido como um campo relacional, no qual práticas, saberes, memórias e identidades se articulam por meio de conexões entre indivíduos, coletivos, instituições e territórios.
A investigação teve como foco projetos contemplados pela Lei Paulo Gustavo em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, buscando compreender de que forma essas iniciativas contribuíram para o fortalecimento de redes culturais locais, especialmente aquelas vinculadas a práticas comunitárias, periféricas e identitárias. A análise considerou aspectos como objetivos, estratégias de atuação, públicos atendidos e formas de articulação em rede.
Entre os resultados identificados, os pesquisadores destacam que a descentralização do acesso aos recursos e o reconhecimento da diversidade dos agentes culturais favoreceram a criação e o fortalecimento de redes baseadas na colaboração, na troca de conhecimentos e na valorização das identidades locais. Segundo o estudo, essas conexões têm potencial para gerar impactos duradouros, estimulando práticas culturais sustentáveis, ampliando o engajamento comunitário e fortalecendo o reconhecimento do patrimônio como uma dimensão viva da vida social.
O trabalho também evidencia o papel das universidades nesse ecossistema. Nesse contexto, a Universidade Feevale é apontada como um importante elo das redes patrimoniais, contribuindo para a produção de conhecimento, análise crítica das políticas culturais e aproximação entre academia, agentes culturais e comunidades.