Material é alternativa ao uso de ácido fluorídrico no processo de modificação superficial associado à fabricação de implantes

O Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) concedeu à Universidade Feevale a patente do processo de “Obtenção de extrato de Psidium guajava e uso como eletrólito”, válida por 20 anos. O projeto se concentrou no uso do extrato das folhas de Psidium guajava, nome científico da goiabeira, como meio para modificação de superfícies metálicas. De acordo com Claudia Trindade Oliveira, professora do Programa de Pós-graduação em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais, o trabalho teve como foco a substituição do ácido fluorídrico, utilizado industrialmente para a modificação de superfícies de biomateriais metálicos, pelo extrato das folhas. Segundo ela, esse processo de modificação superficial é essencial para que ocorra a osseointegração, garantindo a biocompatibilidade do metal com o tecido ósseo.
Essa modificação superficial no material metálico, acrescenta a professora, é feita com uso de ácido fluorídrico, que é uma substância perigosa, capaz de causar queimaduras graves e profundas e intoxicações sistêmicas, o que representa um grande risco ocupacional para as pessoas envolvidas no processo de modificação superficial dos implantes. Como alternativa, os pesquisadores da Feevale desenvolveram um eletrólito à base das folhas da goiabeira. Na patente, foi utilizada uma metodologia de fácil obtenção do extrato, seguida de tratamento que possibilita o armazenamento do material na forma de pó para uso posterior, diz o professor Fernando Morisso, coautor do projeto.
A partir disso, os pesquisadores testaram o uso do extrato de Psidium guajava como eletrólito ambientalmente correto no processo de anodização pelo qual se promove a modificação, por formação de óxido, sobre a superfície metálica do implante. "Observamos que existe reprodutibilidade no processo de anodização. Foram feitos testes com folhas armazenadas por até seis meses e testes com folhas de diferentes regiões. Todas elas reproduziram o processo de anodização em implantes de titânio", conta a professora Claudia. Ela afirma que já existe uma empresa parceira interessada no projeto e que a ideia é fazer a transferência tecnológica adaptando o processo para a indústria.
A diretora de Inovação da Universidade Feevale, Manuela Bruxel, ressalta a importância da obtenção da patente, à medida em que a Instituição se destaca pelo protagonismo de seus professores e alunos na pesquisa e inovação. “Isso consolida um ecossistema forte através de patentes concedidas, às quais ratificam a qualidade dos produtos gerados dentro da Universidade e garantem soluções criativas e de impacto para a sociedade e o mercado", completa a diretora.
O projeto é de responsabilidade dos professores de Programas de Pós-Graduação Claudia Trindade Oliveira, Fernando Dal Pont Morisso, Carlos Leonardo Pandolfo Carone (Materiais e Processos Industriais), Juliane Deise Fleck (Virologia) e Cristiane Bastos de Mattos (Toxicologia e Análises Toxicológicas), da docente Luciane Taís Fuhr (curso de Engenharia Mecânica), dos egressos Jussara Elisabeth Kuhn Mottin (Farmácia) e Luã Tainachi Mueller (Engenharia Mecânica) e da pós-doutoranda do PPG em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais, Sandra Raquel Kunst.