Atividade nesta segunda-feira, 27, reuniu professoras do município de Novo Hamburgo. Parceria entre a prefeitura e Feevale tem o objetivo de promover uma educação voltada para o enfrentamento das violências

Jornalista Michel Costa ministra formação para professoras da rede municipal
Começou nesta segunda-feira, 27, a formação de professores da rede pública municipal de Novo Hamburgo, com o tema Afirmando direitos, enfrentando violências: gênero e justiça no território escolar. O curso faz parte do Convênio Educação Antidiscriminatória entre a Universidade Feevale e Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo. Participaram da atividade, que aconteceu no auditório do prédio Azul, no Câmpus II, cerca de 60 professoras de Educação Infantil e Ensino Fundamental e diferentes níveis de ensino do município.
Serão sete encontros mensais, todas as segundas-feiras à tarde, até 30 de novembro, que visam desenvolver reflexões e estratégias pedagógicas para o enfrentamento das violências de gênero. Os trabalhos são realizados pelo grupo de pesquisa Criança na Mídia: Núcleo de Pesquisa em Comunicação, Educação e Cultura e pelo projeto social Cidade Viva: crítica midiática como ato comunicacional antidiscriminatório, ambos da Universidade, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SMED). A proposta articula, ainda, a integração pesquisa e extensão, com participação de acadêmicos dos programas de pós-graduação em Processos e Manifestações Culturais e em Diversidade Cultural e Inclusão Social.
No primeiro encontro, o jornalista e doutorando do grupo Criança na Mídia, Michael Costa, abordou a discussão das violências, ressaltando que discutir masculinidades na escola também é discutir prevenção das violências.
A escola é um dos primeiros lugares onde aprendemos não apenas conteúdos, mas também formas de ser menino e de ser menina. Por isso, se queremos enfrentar a violência contra mulheres, precisamos olhar para como estamos educando os meninos”, afirmou Michel, lembrando que a prevenção da violência começa muito antes do ato em si: começa na infância
A professora Saraí Schmidt, coordenadora do grupo de pesquisa Criança na Mídia e da equipe do projeto social Cidade Viva, explica que a proposta parte do reconhecimento de que a violência de gênero constitui grave violação de direitos humanos e um problema social persistente no estado, que registra, nas últimas décadas, centenas de casos de feminicídio e milhares de ocorrências de violência doméstica contra mulheres. “Nesse cenário, torna-se fundamental fortalecer a escola como território de produção de conhecimento, escuta e intervenção, capaz de promover a igualdade de gênero e contribuir para a construção de uma cultura de direitos humanos”, pontua.
Proposta enfatiza alfabetização midiática e letramento jurídico
O curso busca articular educadores/as que atuam no cotidiano da escola pública, reconhecendo seus saberes, práticas e experiências como elementos centrais para compreender como desigualdades e violências atravessam os territórios escolares e os discursos sociais, inclusive aqueles produzidos e disseminados pelas mídias. A proposta enfatiza a alfabetização midiática como ferramenta para problematizar estereótipos de gênero, ampliar a leitura crítica da informação e enfrentar discursos discriminatórios presentes no espaço público.
Outro eixo estruturante da formação é o letramento jurídico, compreendido como o acesso e a apropriação crítica de conhecimentos sobre direitos, legislações e mecanismos de proteção relacionados às violências de gênero, às discriminações e à proteção de crianças e adolescentes. “Esse processo busca ampliar as possibilidades de atuação dos/as educadores/as na orientação, prevenção e encaminhamento de situações de violação de direitos no ambiente escolar”, esclarece Saraí. Ao final do curso, serão promovidos espaços de diálogo e socialização de experiências pedagógicas desenvolvidas nas escolas, fortalecendo a participação da comunidade escolar na construção de práticas educativas comprometidas com a equidade, a proteção de mulheres e meninas e a constituição de territórios escolares mais seguros, democráticos e acolhedores.


