Acadêmicos da Universidade Feevale criam dispositivo que transforma garrafas PET em filamento para impressão 3D | Universidade Feevale

Acadêmicos da Universidade Feevale criam dispositivo que transforma garrafas PET em filamento para impressão 3D

08/06/2026 - Atualizado 15h54min

Projeto denominado Fipet visa aumentar a renda de cooperativas de reciclagem a partir da inovação tecnológica

fipet

Uma iniciativa desenvolvida dentro dos laboratórios da Universidade Feevale promete impactar a realidade financeira de cooperativas de reciclagem e dar um destino nobre ao plástico descartado. Um grupo de dez acadêmicos dos cursos das Engenharias criou o Fipet, um dispositivo inovador capaz de transformar garrafas PET em filamento de alta qualidade para impressoras 3D.

O projeto se iniciou com o diagnóstico realizado na unidade curricular Projeto Aplicado I e ganhou vida ao longo deste semestre, durante a Unidade Curricular de Projeto Aplicado II, sob a orientação das professoras Cristine Kassick e Daiana Arnold. A ideia do Fipet não nasceu apenas da teoria, mas sim da observação da realidade local, após uma visita dos futuros engenheiros à Univale, cooperativa de reciclagem localizada em Novo Hamburgo.

Conforme Daiana, no local, os acadêmicos constataram um desafio comercial diário: o PET, um dos polímeros mais abundantes na triagem de lixo, costuma ser vendido pelas cooperativas apenas de forma prensada, um formato que gera um retorno financeiro pouco atrativo para os trabalhadores cooperados. Diante desse cenário, o grupo estabeleceu a intervenção, que foi desenvolver uma tecnologia acessível que pudesse agregar valor de mercado ao material.

Precisão e simplicidade

A solução encontrada pelos estudantes, prossegue Daiana, foi criar um protótipo funcional de baixo custo. O funcionamento do Fipet une precisão e simplicidade: o dispositivo recebe a garrafa PET higienizada, corta o plástico em tiras finas e padronizadas e, por meio de um sistema de aquecimento estritamente controlado, converte essas tiras em filamento contínuo, pronto para ser usado na manufatura aditiva (impressão 3D).

“Os benefícios do Fipet vão muito além do ambiente acadêmico e se dividem em duas grandes frentes: reduz o impacto ecológico, ao desviar toneladas de plástico que teriam como destino aterros sanitários, lixões ou a poluição de oceanos; e abre um horizonte inédito de geração de renda para os catadores e cooperados”, comenta a Daiana.

Em vez de vender o plástico bruto por centavos o quilo, diz ela, as cooperativas passam a ter a tecnologia para produzir e comercializar o filamento reciclado, um insumo valorizado no mercado tecnológico atual.

Além da venda direta do filamento, o projeto prevê um impacto ainda maior ao capacitar as próprias cooperativas para que utilizem a impressão 3D internamente. Dessa forma, os trabalhadores poderão criar e vender novos produtos de valor agregado (como brindes, utilitários e peças de design), utilizando como matéria-prima o próprio PET arrecadado nas ruas de Novo Hamburgo.

O Fipet agora entra em fase de testes de refinamento. O grupo, formado por Mateus Becker Stoffel e Everton Gatelli (Engenharia de Computação), Vitório Wickert, Felipe Closs Mattes, Matheus Henrique Van Der Veen, Guilherme Rocha Brandão, Carlos Felipe Dresch da Cunha e Yuri Scharlau (Engenharia Mecânica), Daniel Muller de Araujo (Engenharia Elétrica) e Rafael Lenhardt Diel (Engenharia Civil), estuda formas de viabilizar a replicação do dispositivo para que o impacto social alcance mais cooperativas de reciclagem da região.

 

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