Ano 1 – Vol. 1 (2009) | Universidade Feevale

Ano 4 – Vol. 1 (2012)

A Copa do Mundo do Brasil, em 2014, e os Jogos Olímpicos Rio/2016, ainda que gerem controvérsias sobre a sua viabilidade econômica e o impacto social decorrente dos gastos públicos empreendidos pelos governos municipais, estadual e federal, vislumbram um cenário de visibilidade ao Brasil. Esses dois megaeventos propiciarão visibilidade internacional ao Brasil pelos próximos quatro anos no mínimo, porém o custo social disso não há como mensurar.

Obviamente que, como espaço de desenvolvimento do esporte de rendimento, como o "legado" deixado por esses megaeventos, é algo louvável, porém, do ponto de vista do atendimento das demandas sociais advindas das outras manifestações do esporte, há lacunas. No campo esportivo, observamos claramente um abalroamento da agenda pública pela agenda mercadológica na mídia em relação às discussões e à tematização do esporte de alto rendimento.

Ações articuladas que atendam a todos os interesses da população estão longe dos interesses midiáticos. A agenda midiática vem deformando a ideia de política pública assertiva, visando a ações de curto, médio e longo prazo. Por conseguinte, temos uma política esportiva setorizada no Brasil, que, em certa medida, não atende aos interesses públicos. A mídia é afeita a uma agenda construída por ela mesma, determina o recorte sobre o todo no que diz respeito às políticas públicas na área do esporte. Em certa medida, essa posição é reforçada pelo próprio poder público, que intensifica as ações e os projetos que são parte de uma política, a fim de atender às demandas dos megaeventos. Haja vista os Jogos Olímpicos, que são um evento da cidade, porém os governos têm se esforçado para nos passar uma ideia de evento nacional.

Entretanto, do ponto de vista sociocultural, há um ganho, no imaginário coletivo brasileiro e mundial, sobre os eventos, o país, os países participantes e os espectadores que são coprodutores dos eventos esportivos em questão. Os esportes estão integrados dentro dessa lógica e ocupam um lugar de crescente destaque na produção de espetáculos de massa. A Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos são um referencial da penetração, nos campos sociais, dos esportes como um espetáculo.

Nesse sentido, os "ganhos" com os megaeventos Copa do Mundo e Jogos Olímpicos estão atrelados a um capital simbólico e social que não podemos mensurar quantitativamente. Aspectos relativos a obras e gastos públicos, estimativa de público nos estádios, estudos do aumento no número de turistas no país, média de gastos por pessoa, enfim, isso pode ser mensurado. A Copa do Brasil/2014 e os Jogos Olímpicos Rio/2016 podem nos deixar um legado que vá além dos números, propulsionando a cultura brasileira, de fato, pela sua diversidade e pluralidade, porém a que custo social? Ainda buscamos essa reposta.


Prof. Dr. Gustavo Roese Sanfelice
Editor-chefe da Revista Conhecimento Online
 

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